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Sem Megafone, Com Smartphone – Livro traz cases de sucesso de Comunicação InternaTempo de Leitura: 6 minutos

sem megafone, com smartphone - resumo do livro
Escrito por Cleide Cavalcante

Sem dúvida alguma, o mundo contemporâneo é um espaço com cada vez menos fronteiras. Não as físicas, mas, sim, as comunicacionais. Falar com qualquer um, independentemente de níveis hierárquicos e em qualquer idioma, não representa mais o mesmo desafio de décadas passadas. Tudo ao alcance dos dedos e das redes sociais. Muito bem. E como esta realidade é transportada para universo corporativo?

O público interno abandonou sua pseudo-passividade para ser ele também o sujeito da comunicação e das relações. A sociedade em rede, o acesso às mídias sociais e a publicação de conteúdo online concretizam a ideia de um empregado também emissor de comunicação e participe na formação de reputação das organizações

Esse é um trecho de “Sem Megafone, com Smartphone – Práticas, desafios e dilemas da comunicação com os empregados”, de Paulo Henrique Leal Soares e Rozália Del Gáudio, pelo selo Aberje Editorial.

Foram mais de dois anos na produção do livro, que conta com depoimentos de 84 profissionais de 30 países. O material levantado foi tão rico e construtivo que a dupla agora está trabalhando numa versão em inglês. “As redes sociais e esse fenômeno de acessibilidade do smartphone têm desafiado muito os profissionais de comunicação”, explica Rozália. Segundo ela, se no passado uma comunicação interna assertiva era baseada em conteúdos bem estruturados com canais focados para públicos específicos, hoje, a evolução tecnológica trouxe o desejo pelo protagonismo na geração, divulgação e seleção de consumo de conteúdos nas empresas.

Existe um grande desafio para cada profissional de comunicação – seja no Brasil ou no mundo – que é incorporar os aspectos bons que chegam com esta modernidade e saber endereçar as novas demandas

O Consumo De Conteúdo Mudou e Precisamos Estar Preparados Para Isso

Por exemplo, a Comunicação deverá estar cada vez mais preparada para gerenciar e mediar diálogos dentro da empresa, sem exercer controle especificamente. “Para isso, é preciso ter sensibilidade e equilíbrio. Podemos ser curadores de conteúdo, podemos influenciar o diálogo, mas não temos mais condições de controlar o que será dito – se é que um dia tivemos. Mas o fato é que hoje não temos mais condições de pautar o interesse das pessoas”, destaca.

Essa percepção é confirmada pelos depoimentos do livro, mostrando que o desafio daqui para frente é um só: relevância de conteúdo oferecido para consumo.

Seja na Finlândia, onde os profissionais são altamente conectados ou na África, onde as pessoas têm ainda um pouco mais de dificuldade de acesso. Ou seja, o desafio do conteúdo independe de cultura, contexto ou tecnologia aplicada nos processos.

Rozália destaca também que o papel da liderança será fundamental neste novo caminho influenciado intensamente pelas evoluções tecnológicas.

As quase 200 páginas do livro de Rozália e do Paulo trazem conteúdo bem interessante, inspirador e essencial para quem deseja entender com profundidade os novos movimentos nas empresas e os desafios advindos deste caminhar pautado pelas incessantes evoluções tecnológicas e, consequentemente, de padrões de vida em sociedade.

Rozália também comentou sobre o lançamento no Progic TV Entrevista – Comunicação e Sustentabilidade na C&A.

 

Veja alguns trechos de depoimentos:

 

“Com relação às mudanças na comunicação interna, acho que a primeira mudança é que a fronteira entre as comunicações internas e externas está se tornando cada vez mais vaga.”

Yao Ying (China) – Profissional com mais de 10 anos de experiência na área de comunicação interna.

 

“Transformar os empregados em protagonistas da informação em cada uma de nossas plataformas internas. Ao utilizar os empregados como centro das histórias que queremos comunicar, eles se sentem parte das mensagens e não simplesmente receptores. Isso produz uma reação imediata que não somente os faz assimilar a informação, como também os conecta com a empresa e com os outros.”

Arlina G. Peña (República Dominicana) – Gerente de Comunicação da Barrick Pueblo Viejo

 

“O maior desafio da área de comunicação interna não é comunicar. Isso é simples e, na verdade, todo mundo faz. Cada funcionário, com seu smartphone, pode falar sobre a empresa e para a empresa, em tempo real, seja em redes sociais externas, seja nas redes internas, o que amplifica a nossa velha conhecida ‘rádio corredor’. Hoje o desafio é saber como a nossa área pode atuar nesse meio…”

Flávia Apocalypse (Brasil) – Gerente de Comunicação Interna da IBM

 

“A única maneira de entrarmos nessas bolhas dos empregados é ouvi-los. Para as organizações, isso significa uma grande mudança de mentalidade.”

Vilma Luoma-aho (Finlândia) – Professora de Comunicação Corporativa e presidente da Profissionais de Comunicação da Finlândia (ProCom).

 

“…As empresas têm que começar o mais rapidamente possível a reconhecer as qualidades dos empregados, a partilhar o trabalho e a compreender a diversidade.”

Kaz Amemiya (Japão) – Presidente da Crossmedia Communications, Inc. e diretor da Sociedade Japonesa de Estudos de Comunicação Corporativa.

 

“Acredito que a transparência na comunicação vai ser o principal desafio da comunicação nos próximos anos, aliando-se, na prática, à reputação, à credibilidade e ao valor das organizações.”  

António Rapoula (Portugal) – Presidente da FEIEA (Associação Europeia de Comunicação Interna)

 

“…A forma de se fazer comunicação interna também será afetada por mudanças sociais e tecnológicas, e, consequentemente, tem de se adaptar para continuar sendo eficaz.”

Alejandro Formanchuk (Argentina) – Diretor da Federação Latino-Americana de Comunicação Interna e presidente da Associação Argentina de Comunicação Interna.

 

“ …Empregados das organizações usam ativamente todas as possibilidades de comunicação moderna e isso pode ser uma fonte de crescimento para a empresa e, ao mesmo tempo, uma zona de risco.”

Mikhail Tsykarev (Rússia) – Especialista em comunicação pela internet, chefe da Junta de Tecnologias Avançadas para o Desenvolvimento Estratégico de Tecnologias do Banco Ural para a Reconstrução e Desenvolvimento.

Sobre o autor

Cleide Cavalcante

Gerente de Comunicação e TV Corporativa, há 11 anos mudou o rumo da carreria para trabalhar com o que mais gosta: tecnologia, inovação e comunicação digital. Ao longo deste tempo, foram mais de 150 canais de TV Corporativos implantados com sucesso. E, entre um job e outro, a vida flui intensamente em meio a livros, à natureza e aos pets de estimação.