Por Cleide Cavalcante

Em 2025, a 8ª temporada do Progicast foi, para mim, daquelas que a gente termina com uma sensação bem clara: o trabalho mudou de marcha e não dá mais para tratar gestão como um conjunto de boas intenções bem apresentadas. Enquanto muita gente discute futuro (IA, mundo 4.0, mundo 5.0), o cotidiano das organizações continua pedindo o que sempre pediu, só que com menos tolerância a improviso: clareza para priorizar, decisão para destravar, padrões para sustentar a execução, comunicação que organiza em vez de confundir e cuidado que aparece na rotina — não apenas no discurso.

E é aqui que a temporada ficou provocativa. Ela cutucou contradições bem comuns:

  • A empresa quer autonomia, mas não combina o que é prioridade;
  • Quer inovação, mas cria um ambiente em que errar vira “pecado”;
  • Fala de cultura, mas tolera os comportamentos que desmontam essa cultura;
  • Defende saúde emocional, mas mantém a operação em modo urgência (e chama isso de alta performance).

Abaixo eu organizei os episódios por blocos para ficar mais fácil enxergar o que a temporada “disse” no conjunto — e não só episódio a episódio.

TRABALHO, IA E OTIMIZAÇÃO: O FUTURO CHEGOU, MAS A BAGUNÇA TAMBÉM ESCALA

Quando a gente entra em IA e em “otimização da vida no mundo 4.0”, eu gosto de olhar para além do hype. Porque, na prática, tecnologia não traz só eficiência – ela traz também pressão por velocidade, muda o que é “competência” e escancara o que já estava mal resolvido.

Insight que ficou para mim: IA acelera tudo, inclusive as falhas de gestão.

  • Se a empresa já tinha alinhamento, IA pode virar alavanca.
  • Se a empresa vivia de improviso, IA vira multiplicador de ruído.
  • E se o ambiente já era tenso, a “otimização” vira só outro nome para cobrança infinita.

Episódios desse bloco:

  • #109 — O Futuro do Trabalho com IA
  • #117 — A otimização da vida no mundo 4.0

LIDERANÇA E ALINHAMENTO: SEM ISSO, TODO “FUTURO” VIRA ESFORÇO E RETRABALHO

Esse bloco é daqueles que parecem óbvios — até você perceber o quanto falta o básico bem-feito nas empresas. A temporada trouxe liderança como aquilo que organiza o ambiente: define prioridade, decide, dá contexto, sustenta padrão. E alinhamento como aquilo que evita que a empresa vire um conjunto de ilhas com agendas concorrentes.

Insight que ficou para mim:

  • Quando o time não sabe o que é prioridade, ele não fica “livre”. Ele fica ansioso.

E ansiedade organizacional costuma aparecer como:

  • Retrabalho,
  • Ruído entre áreas,
  • Decisões que se anulam,
  • E muita energia gasta para pouco resultado sustentável.

Episódios desse bloco:

  • #110 — O Papel da Liderança no Sucesso Organizacional
  • #111 — A Importância do Alinhamento dos Colaboradores ao Negócio

PESSOAS E RELAÇÕES: INTERGERACIONALIDADE E CUIDADO (SEM ROMANTIZAR)

Eu gostei muito desse eixo porque ele tira “pessoas” do lugar de pauta acessória. Aqui, relações e saúde emocional aparecem como parte do sistema de trabalho — não como algo que se resolve com uma fala bonita no all-hands. A intergeracionalidade entra com um ponto que, para mim, faz muita diferença: inteligência afetiva não é “ser fofinho”, é saber ler contexto, calibrar comunicação e construir acordos de convivência para a entrega acontecer sem desgaste desnecessário.

E quando entra NR-1 e saúde emocional, a mensagem fica bem direta: cuidado não é evento. É rotina. É desenho do trabalho.

Insight que ficou para mim:

  • Empresa que vive de urgência não está “acelerada”; está desorganizada – e isso cobra uma conta emocional.

Episódios desse bloco:

  • #113 — Intergeracionalidade com Inteligência Afetiva
  • #116 — Saúde Emocional e NR-1: o futuro do cuidado no trabalho

CULTURA E MARCA: O QUE A EMPRESA REFORÇA É O QUE A EMPRESA VIRA

Esse bloco foi um dos mais interessantes porque ele dá nome ao que muita gente sente e não consegue explicar. Cultura não é o que está no PPT. Cultura é o que a empresa premia, tolera e corrige. Quando entram design comportamental e neurocepção, eu leio como um convite para olhar o ambiente com lupa: quais sinais (às vezes silenciosos) estão gerando segurança ou ameaça? E como isso afeta colaboração, confiança, criatividade e até conflito?

E o tema de propósito e marcas fortes encaixa como consequência: marca estimada geralmente é reflexo de coerência — e coerência, no fim, é interna antes de ser externa.

Insight que ficou para mim:

  • Reputação é o “vazamento” da cultura.

Episódios desse bloco:

  • #115 — Design Comportamental + Neurocepção: A Fórmula Secreta da Cultura Organizacional
  • #112 — Felicidade e Propósito na Construção de Marcas Fortes e Estimadas

COMUNICAÇÃO INTERNA: DO BASTIDOR AO ESTRATÉGICO (E A INFORMALIDADE QUE VIRA RISCO)

Aqui eu vejo uma evolução bem clara: comunicação interna saindo do “apagar incêndio” e tentando virar disciplina estratégica. O episódio dos bastidores traz a parte humana (e necessária): sim, tem gafe, tem ajuste, tem aprendizado. E, quase sempre, gafe é sintoma de algo maior: falta de alinhamento, timingruim, leitura incompleta do público ou mensagem sem contexto.

Depois, quando a gente vai para planejamento do operacional ao estratégico, o ponto fica mais maduro: comunicação não é só informar, é criar entendimento, reduzir rumor e sustentar mudança. E o tema da informalidade (a tal “vibe de férias”) fecha com um alerta que muita empresa só percebe tarde: leveza ajuda, mas informalidade sem acordo vira confusão, vira injustiça percebida e vira perda de padrão.

Insight que ficou para mim:

  • Quando a organização não define o tom, o tom vira uma disputa.

Episódios desse bloco:

  • #114 — Bastidores da Comunicação Interna: Gafes, Aprendizados e Sucessos
  • #119 — Planejamento de Comunicação: do Operacional ao Estratégico
  • #120 — Vibe de Férias vs. Cultura Corporativa: Riscos e Desafios da Informalidade

EXTRA: O SALTO PARA O “MUNDO 5.0”

Eu deixei esse episódio separado porque ele amarra bem o espírito de 2025: a tecnologia avança, mas o que sustenta o jogo continua sendo gente preparada para decidir, alinhar e cuidar.

Episódio:

  • #118 — Construindo líderes para o mundo 5.0

Lista completa das 12 edições/episódios (8ª temporada – 2025)

  1. Progicast #109 — O Futuro do Trabalho com IA, com AlejandraNadruz e Fabiano Rodrigues.
  2. Progicast #110 — O Papel da Liderança no Sucesso Organizacional, com BrunoBiesczad e Andreia Girardini.
  3. Progicast #111 — A Importância do Alinhamento dos Colaboradores ao Negócio, comDaniela Medalha.
  4. Progicast #112 — Felicidade e Propósito na Construção de Marcas Fortes e Estimadas, comDomitila Carbonari e Patrícia Santos.
  5. Progicast #113 — Intergeracionalidade com Inteligência Afetiva, comCristiane Santos e Mauro Wainstock.
  6. Progicast #114 — Bastidores da Comunicação Interna: Gafes, Aprendizados e Sucessos,Tiago Augusto dos Santos e Larissa Bronze Condeixa Cabral.
  7. Progicast #115 — Design Comportamental + Neurocepção: A Fórmula Secreta da Cultura Organizacional, comClaudia Machado e Daniane Bergamini.
  8. Progicast #116 — Saúde Emocional e NR-1: o futuro do cuidado no trabalho, comAna Paula Probst e Claudia Negreiros.
  9. Progicast #117 — A otimização da vida no mundo 4.0, comIonara Kuntz e Inara Willerding.
  10. Progicast #118 — Construindo líderes para o mundo 5.0, com Rogério Cunha e Daniela Bressan.
  11. Progicast #119 — Planejamento de Comunicação: do Operacional ao Estratégico, com Cristiano Sampaio eDanielle Moreira.
  12. Progicast #120 — Vibe de Férias vs. Cultura Corporativa: Riscos e Desafios da Informalidade, comRichard Uzeloto e Thiago Tomaz.

E AGORA: JÁ ESTAMOS COM TUDO PRONTO PARA A 9ª TEMPORADA!

Depois dessa rodada de 2025, a sensação que fica é que a conversa só abriu mais espaço. A 9.ª temporada do Progicast já está no radar — e eu quero muito que ela seja construída também com o que vocês estão vivendo no dia a dia. Para ver todos os episódios (ou revisitar) da temporada, o Progicast está no Spotify e no YouTube.

Quem quiser, pode mandar sugestões de temas: o que está pegando na sua empresa, na sua equipe, na sua liderança — ou o que você queria ver discutido sem “roteiro corporativo”.

Um abraço e até mais!

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Escrito por Cleide Cavalcante

Gerente de Comunicação e TV Corporativa, há 16 anos mudou o rumo da carreira para trabalhar com o que mais gosta: tecnologia, inovação e comunicação interna. Ao longo deste tempo, foram mais de 350 canais digitais implantados - TV Corporativa e apps - com sucesso. E, entre um job e outro, a vida flui intensamente em meio a livros, à natureza e aos pets de estimação.
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