
Ninguém quer ser o goleiro na neblina.
Essa imagem representa um fato real, ocorrido em 1937.
No jogo entre Chelsea e Charlton, durante o tradicional Boxing Day, a partida foi interrompida aos 15 minutos do segundo tempo por causa de um nevoeiro intenso.
O detalhe curioso (e simbólico) é que o goleiro do Charlton, Sam Bartram, permaneceu em campo por mais 15 minutos, sem saber que o jogo havia sido paralisado.
“Com o decorrer do jogo, eu via cada vez menos meus companheiros. Até que, em certo momento do segundo tempo, um policial veio me buscar”, contou Bartram.
— Mas o que você ainda está fazendo aqui? O jogo foi interrompido há 15 minutos.
Quando chegou ao vestiário, seus colegas já estavam prontos para ir embora.
Todos riram.
Ele também.
Mas fez questão de registrar:
“Foi um real momento de solidão.”
Agora, imagine o sentimento desse goleiro.
Essa história vai muito além do futebol. Ela nos provoca a refletir sobre nossas relações com as equipes das quais fazemos parte, no trabalho, em grupos sociais, entre amigos, na família.
E quando olhamos para as empresas onde atuamos, especialmente em tempos de home office e trabalho híbrido, algumas perguntas surgem quase automaticamente:
- Você já se sentiu como esse goleiro? Sozinho, sem informação, sem contexto, sem comunicação?
- Quantas vezes um projeto foi interrompido ou mudou de rumo… e alguém ficou sabendo só depois?
- Quantos líderes agem como o técnico que esqueceu de avisar o time?
- Você já dedicou tempo e energia a uma apresentação e, na hora de mostrar ao cliente, ouviu: “Mudamos tudo”?
- Quantas vezes sua equipe precisou refazer um trabalho inteiro porque alguém esqueceu de comunicar uma mudança estratégica?
É importante lembrar: a comunicação,
antes de ser instrumental, é humana.
As pessoas precisam de retorno, de resposta, de contato.
Mas, infelizmente, nas empresas, ainda predomina uma comunicação formal, burocrática e distante. Há enorme preocupação com os meios: canais, plataformas, ferramentas, e pouca atenção à compreensão real da mensagem.
Assim, fica difícil engajar, motivar e mobilizar pessoas para superar desafios e alcançar metas.
Minha experiência mostra que, quando investigamos o nível real de entendimento dos colaboradores sobre as informações internas, o desconhecimento costuma ser muito maior do que imaginamos.
Já vi profissionais que não sabiam explicar os objetivos, os nomes ou a importância dos principais projetos da própria área.
A combinação de canais enfraquecidos, excesso de informação mal contextualizada e a ausência do hábito de buscar conhecimento revela muito mais sobre a cultura da empresa do que sobre as pessoas.
Nenhuma tecnologia, por mais avançada que seja, substitui relações humanas empobrecidas por culturas que não estimulam diálogo, escuta e troca.
Tão importante quanto exercer uma função no time, é sentir-se parte dele.
As pessoas querem, e precisam, ser informadas, orientadas e acolhidas por seus colegas e, principalmente, por seus líderes.
Porque, no fim das contas…
Ninguém quer ser o goleiro na neblina.
A alma das pessoas só aparece quando a neblina se dissipa.
Quanto mais informação, mais luz.

*Os artigos publicados no Blog Endomarketing.TV buscam fomentar o debate e o conhecimento no setor. As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição institucional da Progic.








