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Gestão à Vista: Por que Divulgar Indicadores da Empresa?Tempo de Leitura: 6 minutos

gestão à vista

“Um índice é algo que melhora só de olhar”

Toda vez que eu falo esta frase, percebo certa desconfiança no rosto da pessoa com quem estou conversando.

Quem me inspirou a ficar repetindo esta definição peculiar foi Bob Parsons, fundador do maior provedor de hospedagem de páginas web do mundo, a americana “GoDaddy”. Ao compartilhar 16 dicas de empreendedorismo, ele saiu com a seguinte pérola:

“Eu juro que é verdade. Tudo que é medido e observado, melhora”

Eu li esta frase há uns 6 anos atrás e ela me marcou bastante. Ela parece meio cabalística, meio mística. Tanto é que o autor da frase jurou que era verdade antes de pronunciá-la.

Mas não se trata de superstição, astrologia, espiritismo ou malabarismo. Certamente tem suas raízes na psicologia e, quem sabe, até na física quântica (poder da mente?), mas não vou me aventurar por estes caminhos.

Um paralelo com o mundo automotivo

Você já se perguntou porque os carros tem ponteiros indicando a velocidade? Eles servem para construir a consciência situacional do motorista, que por sua vez influencia no seu comportamento e atitude.

velocimetro

Se o carro estiver a 150km/h, mas você não souber disso, porque você frearia? Por outro lado, se a pista tem radares, você pode frear para garantir que não levará uma multa, mas será que não está andando muito abaixo do limite?

Enfim, ter conhecimento da velocidade permite ao motorista modular a aceleração ou frenagem, criando um balanço ideal entre risco e otimização do tempo de chegada. A velocidade, quando é medida e, principalmente, quando é apresentada ao motorista, tende ao seu ponto mais otimizado.

Portanto, a velocidade é um exemplo de índice que melhora “só de olhar”. (Obs: se beber, não dirija).

Suponha agora que você é o motorista de um carro e leve consigo alguns passageiros. É bem importante que você se mantenha acordado, mas seus passageiros podem dormir se quiserem.

Eles não tem nem a responsabilidade nem o poder de influenciar na direção do veículo, além de não conhecer seus indicadores (velocidade, rotação do motor..) e nem podem atuar na direção ou nos pedais de freio e acelerador. São passageiros.

Como isto se aplica no ambiente corporativo?

Se você ocupa um cargo de liderança em uma empresa pode já ter se sentido frustrado com a eventual falta de engajamento de sua equipe. É fácil sentir raiva, difícil é admitir que a culpa é sua.

Carros e empresas são duas coisas que você pode dirigir. A diferença é que os carros levam as pessoas e as empresas SÃO as pessoas.

Se as pessoas tiverem a impressão de que não podem influenciar na direção ou na velocidade da empresa, de que o trabalho delas não importa, de que não há conexão entre o desempenho delas e os resultados da empresa, então elas se sentirão como meros passageiros. Passageiros dormem…

Para evitar este efeito indesejado nas corporações, fala-se muito em empoderamento, em autonomia, em delegação, em orientação a resultados, em gestão participativa etc, etc.

São ações que visam fazer as pessoas perceberem as relações causais que existem entre seu trabalho e os resultados do negócio, aumentando também o sentimento de responsabilização, com vários efeitos positivos derivados disso.

É como se cada passageiro do carro tivesse também uma direção e um conjunto de pedais para colaborar com o motorista.

compartilhando o volante

A gestão à vista: compartilhando velocímetros

Outra tendência que tem ganhado força é a gestão à vista nas empresas, título e objetivo do meu texto. Gestão à vista, aplicado ao meu exemplo do carro, é mais ou menos o seguinte: se nós demos aos passageiros direção e pedais auxiliares, porque eles não podem ver o velocímetro também?

Gestão a vista trata-se de compartilhar e apresentar os indicadores do negócio, de forma facilmente observável, amplificando o senso de responsabilização dos colaboradores e influenciando seu comportamento.

Por exemplo: se o índice de perdas de uma linha de produção está acima do desejado, mas os operários não sabem disso, eles não mudarão em nada seus comportamentos. Por outro lado, se esta informação está representada na forma de um gráfico em um grande painel no setor de produção, atualizado diariamente, o comportamento muda naturalmente. É como o motorista do carro que freia ou acelera.

Qualquer índice?

Claro que não se trata de uma divulgação indiscriminada de informações. Os índices divulgados a um departamento devem fazer sentido para este, devem estar dentro do contexto da equipe. O ideal é que as relações causais entre o trabalho dos colaboradores e os indicadores do negócio apresentados sejam próximos e perceptíveis.

Por exemplo, de nada adianta divulgar simplesmente o lucro da empresa. Lucro é uma informação que poucos entendem corretamente. É necessário muito contexto, conhecimento da estratégia da empresa, conhecimento do mercado, conhecimento contábil, patrimônio líquido, entre outros, para compreender corretamente a mera informação sobre o lucro. É muito? Quero um aumento. É pouco? Melhor eu achar outro emprego. Enfim… cuidado com o que divulga.

Exemplos mais adequados de gestão à vista:

  • Setor comercial: crescimento percentual de novos clientes no mês;
  • Setor de cobrança: índice de inadimplência no trimestre;
  • Setor de produção: indicadores de perdas de matéria prima. Etc…

Se índices são coisas que melhoram só de olhar, quanto mais gente olhando, melhor!

Como vimos, o mero conhecimento a respeito de índices corporativos, desde que eles façam sentido para o colaborador, tem efeitos benéficos para seu engajamento e, consequentemente, para a empresa.

“Employees who are highly engaged have a clear line of sight.”
– Watson Wyatt

Quanto mais direta a relação do índice com o trabalho de quem está vendo, maior a possibilidade de este se sentir responsável pela melhora daquele indicador, o que certamente influencia em seu trabalho.

Então, quanto mais gente olhando índices, melhor!

gestao-a-vista

Nos acompanhe…

Se você gostou do conceito, deve estar curioso para ver alguns exemplos práticos.

Eu pretendo, em breve, preparar outro post onde vou compartilhar um pouco da estratégia de gestão à vista que utilizamos na Progic. Isto inclui exemplos de alguns painéis de índices que exibimos em nossas 9 telas de TV corporativa, bem como as técnicas que utilizamos para capturá-los e exibi-los automaticamente. Fique ligado!

Sobre o autor

Igor Gavazzi Vazzoler

Fundador e Diretor de Inovação da Progic Tecnologia. Engenheiro eletricista pela UFSC com MBA em Gestão de Projetos pela FGV.