Conversamos com Francisco Aylwin Oyarzún, Presidente da LLYC Chile e do Foro de Comunicación Corporativa (FOCCO-DIRCOM), uma das vozes mais influentes da Comunicação Corporativa na América Latina.
Eleito Profissional do Ano 2025 pelo júri dos Prêmios Eikon, Francisco construiu uma trajetória sólida que transita entre Comunicação Corporativa, Assuntos Públicos, Arte e Cultura. Ao longo de sua carreira, tem contribuído ativamente para o fortalecimento do papel estratégico da comunicação nas organizações e na sociedade.
Atualmente, também integra conselhos e fundações ligados à sociedade civil e ao desenvolvimento da comunicação na região, ampliando seu impacto para além do ambiente corporativo. Nesta entrevista, ele compartilha sua visão sobre os desafios e as transformações que estão moldando o futuro da comunicação na América Latina.
Progic: Para profissionais de Comunicação no Brasil que ainda conhecem pouco a realidade chilena, como descreve o rol da Comunicação Corporativa e Assuntos Públicos no país?
Francisco: Estamos em um momento fascinante da profissão. As Comunicações Corporativas e Assuntos Públicos estão fazendo um trabalho muito importante de gestão de interesses, seja de uma comunidade, empresa ou uma reunião de vizinhos.
O interessante é como a autoridade toma decisões com as informações que temos. A Comunicação precisa estar em todos os planos de organizações, sejam privadas ou públicas. Os comunicadores têm desafios em colocar valor no que fazemos e isso precisa ser levado a sério pelas altas esferas das comunicações.
Progic: O que pensa sobre o uso de Inteligência Artificial nas Comunicações e Assuntos Públicos?
Francisco: A Inteligência Artificial chegou para ficar, temos que conviver com ela. É uma tecnologia que pode nos ajudar em tarefas de processos e relatórios, por exemplo, mas não vai substituir a inteligência humana. Mesmo quando temos um material feito com IA, é preciso não somente revisar, e sim verificar se está bem feito.
Progic: Quando falamos de Liderança, o que difere um líder que entende que a Comunicação como algo estratégico e não somente como uma ferramenta operativa?
Francisco: Quem está em posição de liderança é o vínculo entre a organização e o cenário externo. Os líderes de Comunicação observam o que acontece fora da empresa e comunica para dentro e, também o que acontece dentro da empresa e levam para fora. É importante também que um líder tenha a capacidade de escutar.
Progic: Quais conselhos deixa aos profissionais brasileiros que querem compreender melhor os vínculos entre Comunicação, Sociedade e Liderança na América Latina?
Francisco: É necessário saber ler o contexto em que atuam. A linguagem, as práticas e as dinâmicas não são as mesmas no Chile, no Brasil, na Argentina ou no Peru. É preciso compreender essas diferenças, captar os sinais do ambiente e, só então, agir.
Não se trata de chegar dizendo “é assim que se faz”. O Chile, por exemplo, tem peculiaridades importantes, inclusive entre suas próprias regiões, onde muitas coisas funcionam de formas distintas.
Outro ponto é que, vivemos, mais do que nunca, uma era de colaboração. Embora existam projetos individuais excelentes, o momento atual exige trabalho coletivo. Você pode ter os melhores talentos, mas nada supera o que pode ser construído quando todos colaboram, trabalham em rede e compartilham objetivos.
*Esta entrevista integra a série de conteúdos do Endomarketing.TV, que tem como objetivo fomentar o debate e ampliar o conhecimento sobre Comunicação Interna e Endomarketing. As opiniões e análises apresentadas são de responsabilidade exclusiva da entrevistada e não refletem, necessariamente, o posicionamento institucional da Progic.








