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Diversidade nas Organizações – Problema ou Solução?Tempo de Leitura: 10 minutos

diversidade nas organizações
Escrito por Daniéli Closs

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Aceitar a diversidade não é apenas conseguir lidar com gêneros, cores ou orientações sexuais distintas, mas principalmente respeitar ideias, culturas e histórias de vida diferentes da sua.

Se você ainda não teve essa experiência, como se comportaria em um ambiente de trabalho com pessoas com cultura, raças ou opiniões totalmente diferentes da sua? Como você trataria portadores de deficiência ou ex-presidiários, por exemplo?

Você sabia que a diversidade nas organizações melhora a competitividade e até a lucratividade das empresas, além de reforçar o respeito entre as diferenças?

Sabia que organizações que investem em diversidade são mais inovadoras e crescem mais rapidamente?

Esse assunto sempre nos chamou a atenção, principalmente após assistir a palestra de Reinaldo Bulgarelli e Wagner Brunini no CONARH 2016¹, com o tema “Diversidade como diferencial no crescimento das empresas”.

E é sobre isso que iremos falar neste post: como a diversidade afeta o ambiente de trabalho e porquê devemos transformá-la em um componente integrante da cultura empresarial.

Os Números no Brasil

Estamos aprendendo a respeitar e aceitar as diferenças. Um exemplo a ser citado é a quantidade de campanhas defendendo o feminismo no dia internacional da mulher deste ano. Diversas marcas se posicionaram defendendo a causa e principalmente a igualdade de gênero.

Outro exemplo é a posição que as marcas de cerveja também vêm tomando. A Skol, por exemplo, após uma campanha polêmica em 2015, que foi acusada de apologia ao estupro² se  reformulou totalmente neste ano. Com a campanha “No verão Skol, redondo é sair do seu quadrado”³, a marca promove o respeito e a aceitação das diferenças.

Ao ver a publicidade se reinventando e movimentos sociais crescendo nas Redes Sociais podemos pensar que esse é um assunto já discutido o suficiente e que, apesar de a passos curtos, estamos avançando.

Mas nem tudo são flores.

  • A ONU afirmou4 no ano passado que das 16,2 milhões de pessoas vivendo em extrema pobreza no Brasil, 70,8% são afro-brasileiras.
  • Somos o 5º país mais violento5 para mulheres no mundo, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada.
  • De acordo com um estudo6 realizado pelo Fórum Econômico Mundial, no ritmo atual seriam necessários 95 anos para que mulheres e homens atingissem situação de plena igualdade no Brasil.
  • A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado7. Apenas 6% dos negros tem diploma universitário.
  • A cada hora um gay é vítima de violência física no Brasil8, e a cada 26 horas um gay é morto.
  • A maioria das crianças com síndrome de down, passam a infância isoladas por não serem aceitas nas escolas, jovens não conseguem empregos e idosos ficam em instituições.

Infelizmente, estes são os números que ainda permeiam a realidade do nosso país, que sempre foi conhecido pela riqueza de diferenças, seja diversidade humana, diversidade social, diversidade cultural, diversidade religiosa ou diversidade étnica.

Um País Diverso por Natureza

Dificilmente existe uma cultura tão diversificada quanto a do Brasil. Além dos nativos, nossa população foi formada por distintas fontes migratórias, como os portugueses, africanos, europeus e imigrantes da Ásia e do Oriente Médio.

diversidade no brasil

Além disso, o desenvolvimento trouxe a liberdade de expressão e as gerações estão cada vez mais à vontade ao se posicionar frente a suas opções sexuais, gostos e estilos. Ser diferente é mais normal do que nunca e expressar tudo isso é um dos fatores mais importantes.

Apesar de toda essa liberdade de expressão, o preconceito ainda toma proporções gigantescas e mesmo que grande parte das pessoas reprovam este comportamento, algumas infelizmente se identificam com ele.

Se viemos de uma cultura tão heterogênea, por que ainda é necessário lutar contra a discriminação e a intolerância?

É essa mesma cultura que trapaceia e promove o preconceito. Ainda não há compreensão de que a educação é o ponto inicial para a mudança, que precisamos ensinar que somos diferentes e devemos respeitar e não apenas lidar com isso.

A Diversidade nas Organizações (ou a falta dela)

Passamos a maior parte dos nossos dias no trabalho. Às vezes convivemos com nossos colegas mais do que com a família. Estamos sempre em contato com pessoas diferentes e sabemos que o respeito é o pilar dos relacionamentos.

Mas infelizmente, percebemos que a diversidade não faz parte da cultura das empresas.

De acordo com um estudo realizado pelo Instituto Ethos9 com 500 empresas brasileiras:

  • Apenas 2% dos funcionários das maiores empresas brasileiras são pessoas com deficiência (o mínimo exigido pela lei);
  • As mulheres representam 58,9% dos estagiários e apenas 13,6% das vagas executivas;
  • As mulheres recebem 70% da massa salarial obtida pelos homens;
  • Não existe um executivo de origem indígena nas empresas estudadas;
  • 94,2% dos cargos executivos pertencem a brancos, enquanto apenas 4,7% dos negros ocupam cargos nesse nível.

Além do preconceito com mulheres, negros, LGBTs e pessoas com deficiência (PCDs), fatores como idade, escolaridade, religião, peso e aparência também são motivos que dificultam o relacionamento entre colegas em uma empresa.

As diferenças são muitas, bem como os preconceitos.

Essa cultura, muitas vezes, começa na construção do quadro funcional da empresa.  Em diversas ocasiões, a religião, renda e outros aspectos são analisados durante os processos seletivos, para manter determinados padrões dentro das organizações.

Esse hábito frequentemente advém do etnocentrismo.

Uma pessoa etnocêntrica considera a sua cultura como a principal, na maior parte das vezes como sendo superior às outras culturas, e não respeita, ou não se importa, com pessoas com padrões culturais diferentes. É uma consequência clara da falta de empatia com as pessoas.

Nas organizações, o etnocentrismo não permite que novas ideias sejam ouvidas ou novas propostas sejam analisadas, dificultando o desenvolvimento das empresas, pois usa os mesmos métodos para todas as atividades e assim não se destaca ou se diferencia de outras.

Diversos fatores e dados comprovam que a diversidade auxilia no crescimento das organizações, promove a inovação e melhora a comunicação e o relacionamento.

E esse é o principal objetivo desse post, mostrar que, ao enraizar a diversidade e o respeito na cultura da empresa e não só considerá-los como estratégia, pode levá-la ao desenvolvimento e ao progresso.

Por que Investir em Diversidade nas Organizações?  

A comunicação melhora consideravelmente quando conseguimos conviver com pessoas diferentes.

Além da relevância do respeito e da ética para as empresas, ao investir na diversidade, os resultados e os lucros também são influenciados e melhoram constantemente.

Conforme um estudo da Organização McKinsey & Company10:

  • Empresas com diversidade étnica e racial possuem 35% mais chances de ter rendimentos acima da média do seu setor;
  • As empresas com diversidade de gênero, possuem 15% a mais de chances de ter rendimentos acima da média;
  • Nos Estados Unidos, para cada 10% de aumento na diversidade racial ou étnica na equipe de executivos, os lucros aumentam 0,8%.

Uma pesquisa da Harvard Business Review11 revelou que nas empresas onde o ambiente de diversidade é reconhecido, os funcionários estão 17% mais engajados e dispostos a irem além das suas responsabilidades.

Além disso, foi identificado também que a existência de conflitos chega a ser 50% menor que nas outras organizações. Isso significa que quando trabalhamos em um ambiente que aceita as diferenças, também nos sentimos mais à vontade para aprender e arriscar.

Temos várias empresas que investem fortemente em diversidade e já estão alcançando resultados com isso. Empresas como a Sodexo, Mastercard, P&G e Johnson & Johnson estão entre as 50 melhores empresas que investem em diversidade12.

Outro exemplo, é a ação da agência Mccann realizada no último Dia Internacional da Mulher, que adicionou a estátua de uma jovem garota se colocando à frente do icônico touro de Wall Street13 para homenagear e representar o poder da liderança feminina nas empresas.

O que os gestores precisam fazer, é se basear na gestão de diversidade de empresas bem sucedidas e, assim como eles, crescer financeira e culturalmente.   

Ter distintos pontos de vista, opiniões e referências, pode ser um diferencial para a inovação nas organizações.

Algumas pessoas são determinadas, criativas e ousadas, precisamos delas para inovar e acompanhar as tendências. Outras possuem know-how e não nos deixam esquecer dos valores que tanto lutamos para conquistar.

Portanto, diversidade nas organizações significa ter um ambiente favorável para os colaboradores, que promova a boa convivência entre todos e uma maior troca de experiências. 

diversidade nas empresas

E Como Desenvolver a Diversidade?

O primeiro passo é mudar a cultura da empresa (como se fosse fácil, né?).

Para que as mudanças sejam efetivas, a organização precisa ter a diversidade inserida em seus valores.

As diferenças precisam ser trabalhadas por todos, gestores e colaboradores. Pode ser incluída aos poucos no dia a dia, permitindo e aceitando opiniões e sugestões de melhoria.

Os processos de contratação devem ser adaptados, deixando de lado os requisitos como idade, gênero, padrão estético ou físico.

“O papel da empresa é buscar o que é essencial no candidato que ela precisa, e para isso, deve deixar de lado preconceitos empresariais para se trabalhar em investimento no potencial do funcionário e desenvolvimento da carreira”, como disse Bulgarelli na palestra do CONARH.

Uma publicação do Instituto Ethos, apresenta pontos que auxiliam na implementação da diversidade nas organizações. Alguns deles são: o recrutamento, o treinamento e a comunicação, bem como a avaliação de desempenho e o marketing.

Além da contratação, promover pessoas diferentes é uma forma de desenvolver essa cultura. Manter a comunicação alinhada e promover o diálogo entre os colegas incentiva o engajamento e o trabalho em equipe. Avaliar a capacidade de trabalhar com pessoas diferentes, pode encorajar a prática.

E por último, o marketing deve estar alinhado à cultura da empresa. Campanhas de endomarketing promovendo o respeito e a valorização das diferenças contribuem para a formação de uma cultura de diversidade nas organizações.

Para entender mais, acesse: Como as Empresas Podem (e devem) Valorizar a Diversidade.

diversidade

Conclusão

Quando uma empresa abre as portas para as diferenças, também receberá a inovação, a criatividade, o engajamento e uma maior dedicação de seus colaboradores. A imagem corporativa é valorizada, a produtividade aumenta e a rotatividade diminui.

A diversidade promove benefícios em qualquer lugar, o mais difícil para alguns é aceitar essa verdade.

Agora que você conhece as vantagens de aplicar a diversidade na sua empresa, pode auxiliar no desenvolvimento da cultura de nosso país e quem sabe assim, poderemos diminuir o tempo dedicado à esforços e aumentar as estatísticas que gritam por mudança.

Somos 7 bilhões de mentes no mundo e querer que todo mundo acredite na mesma coisa é no mínimo papo de louco ♫ Manifesto

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Referências:

1 – Palestra do CONARH 2016 sobre diversidade nas organizações

2 – Campanha polêmica da Skol

3 – Campanha da Skol verão 2017

4 – Políticas de igualdade racial fracassaram no Brasil

5 – Os 20 países mais violentos para mulheres

6 – Brasil levará 95 anos para alcançar a igualdade de gênero

7 – A cada 23 minutos um jovem negro é assassinado no Brasil

8 – A cada hora um gay sofre violência no Brasil

9 – Perfil social, racial e de gênero das 500 maiores empresas do Brasil

10 – Why diversity matters

11 – Diversidade: Inclusão ou estratégia?

12 – Top 50 companies for diversity

13 – Estátua de menina destemida encara touro de Wall Street

Sobre o autor

Daniéli Closs

Relações Públicas por formação, com experiência em liderança, gestão de pessoas e comunicação interna. Conhecimento avançado em marketing digital, apaixonada pelo que faz e entusiasta da evolução.