Todo início de ano a história se repete. A timeline se enche de listas sobre tendências, ferramentas, formatos e promessas de inovação. Parte desse conteúdo é relevante. Outra parte recicla discursos que já deveriam ter sido superados há algum tempo. 

Por isso, quero trazer uma outra perspectiva. Em vez de falar apenas sobre tendências, vale olhar com honestidade para as (des) tendências. Práticas, vícios e prioridades que já cumpriram seu papel, mas que insistem em ocupar espaço na Comunicação Interna, muitas vezes drenando energia, foco e impacto. 

Não se trata mais de disputar atenção. Trata-se de construir conexão, confiança e sentido. 

A Comunicação Interna que seguirá relevante é aquela capaz de gerar compreensão real, adesão consciente e direcionamento prático para a ação, desafiando os limites da comunicação e removendo barreiras de acesso, entendimento e contexto. 

Os dados reforçam essa urgência. Segundo o relatório Measuring What Matters in Internal Comms, 92% das áreas de Comunicação Interna ainda enfrentam dificuldades para demonstrar, de forma clara, o retorno e o impacto do seu trabalho para a liderança, mesmo sendo reconhecidas como estratégicas e contando com orçamento e apoio executivo. 

A Comunicação Interna evoluiu de função operacional para papel estratégico, mas ainda luta para converter percepção em evidência, narrativa em decisão e engajamento em impacto mensurável. O problema não está na relevância da área. Está na forma como ela estrutura, prioriza e sustenta suas escolhas ao longo do tempo. 

Dentro das organizações, essa complexidade se intensifica. Colaboradores vivem a mesma fragmentação informacional do mundo externo, porém com uma diferença crítica. Na empresa, não basta escolher o que consumir, é preciso compreender, confiar e agir. Isso eleva a Comunicação Interna de informativa para estruturante da cultura, do alinhamento estratégico e da tomada de decisão cotidiana. 

Os próprios números mostram o paradoxo. 78% das lideranças já enxergam a Comunicação Interna como estratégica, mas apenas 40% afirmam compreender muito bem o valor que ela efetivamente entrega. Há espaço na mesa, mas ainda falta clareza sobre o impacto. E esse desalinhamento não se resolve com mais campanhas, mais canais ou mais urgência. Resolve-se com foco, intencionalidade e leitura consistente de comportamento. 

É nesse contexto que as tendências ganham sentido. Mas, antes delas, é preciso abandonar algumas prioridades que já não se sustentam. 

AS (DES) TENDÊNCIAS QUE PRECISAM FICAR PARA TRÁS 

1. MAIS VOLUME COMO SINÔNIMO DE BOA COMUNICAÇÃO

O excesso de mensagens fragmentadas continua sendo tratado como esforço, quando na prática gera ruído e desgaste. Comunicar muito não é comunicar bem. Em 2026, volume sem direção deixa de ser virtude e passa a ser um risco. 

O que perde força é a lógica do “quanto mais, melhor”. O que ganha espaço é a capacidade de sustentar poucos temas relevantes, com coerência, recorrência e conexão clara com a estratégia. 

2. MÉTRICAS DE VAIDADE COMO PROVA DE RESULTADO

Curtidas, aberturas e alcance isolados continuam ocupando dashboards, mas dizem pouco sobre entendimento, adesão e mudança de comportamento. Métrica que não orienta decisão não é estratégica. 

A (des) tendência aqui é medir para mostrar, não para escutar. Em 2026, esse modelo perde valor. O foco migra para dados que ajudam a validar hipóteses, ajustar rotas e apoiar escolhas a favor do negócio. 

3. VOZ CORPORATIVA DISTANTE E POLIDA

Textos impecáveis, mas vazios de humanidade, já não geram confiança. A comunicação excessivamente institucional perde força em um cenário de desconfiança generalizada. 

O que deixa de fazer sentido é a comunicação que fala “para” as pessoas. O que se fortalece é a comunicação que constrói diálogo, aproxima lideranças e reconhece a experiência real de quem está do outro lado. 

4. FORMATO ÚNICO PARA TODOS OS CONTEXTOS

Tratar todos os públicos, temas e momentos com o mesmo formato é uma ineficiência disfarçada de padrão. A (des) tendência é ignorar contexto, tempo e necessidade de quem recebe. 

Em 2026, a Comunicação Interna madura entende que formato é estratégia. Curto, longo, visual, áudio ou vídeo não são escolhas estéticas, são decisões de impacto. 

5. CANAL CERTO, EXPERIÊNCIA ERRADA

Ainda se investe energia em escolher canais, mas pouco em desenhar a experiência. 

Conteúdos difíceis de acessar, mal distribuídos ou descolados da rotina real dos times continuam sendo um problema recorrente. 

O que precisa ficar para trás é a obsessão pelo canal ideal. O foco passa a ser alcance com simplicidade, respeitando tempo, ritos e atenção das pessoas. 

O QUE ESSAS (DES) TENDÊNCIAS REVELAM 

A Comunicação Interna deixa de ser refém da demanda, da urgência e da repetição automática. Ela passa a exigir escolhas mais conscientes, menos dispersão e mais responsabilidade sobre impacto. 

O desafio não é conhecer as tendências. 

O verdadeiro desafio é decidir o que parar de fazer para que a Comunicação Interna consiga, de fato, cumprir seu papel em 2026. 

Clareza não nasce do excesso. 

Impacto não nasce da vaidade. 

Protagonismo não nasce da reatividade. 

Uma comunicação acertada nasce de decisão, intenção e alinhamento real entre estratégia, cultura e comportamento, a favor do negócio e das pessoas. 

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