Em uma entrevista para a revista Fortune, durante o último Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, o chairman global da PwC, Mohamed Kande, trouxe reflexões interessantes, feitas a partir das respostas de quase 4,5 mil CEOs de 95 países e territórios, para a pesquisa Leading Through Uncertainty in the Age of AI, ou Liderando Através da Incerteza na Era da IA, em uma tradução livre.
Kande disse que “este é um dos momentos mais difíceis para os líderes”, em razão de um desafio “trimodal” que eles enfrentam na direção de suas empresas: administrar o negócio atual, promover a transformação do que existe e construir modelos totalmente novos para o futuro.
Grande parte dessa inquietude da mais alta liderança vem da aplicação da Inteligência Artificial (IA) nos negócios. Existem dúvidas sobre o modo como essa adoção vem sendo feita e também a respeito dos resultados que podem realmente produzir. Para dar uma ideia, apenas 10% a 12% das empresas relatam ver benefícios em receita ou custos com o uso da tecnologia, enquanto 56% afirmam que não estão tirando proveito dela.
Se essa dúvida atinge quem tem a visão macro do que acontece na companhia, não seria exagerado pensar que esse cenário também aflija departamentos específicos, incluindo aí o RH ou a Comunicação. Logo, o uso de IA em atividades tão estratégicas e importantes para a cultura interna e o engajamento de colaboradores merece atenção.
O próprio CEO da PwC fala em “voltar ao básico”, se referindo a dados limpos, processos de negócios sólidos e governança. O ponto central, portanto, está na execução – incluindo boa gestão e liderança – e não na tecnologia em si.
O momento da Comunicação Interna
No caso da Comunicação Interna, essa volta ao básico encontra alguns dilemas. A última pesquisa CI Trends, feita pela Progic e pela Indicafix, em 2025, mostrou que 53,9% dos participantes consideram que a comunicação não alcança todos os colaboradores, enquanto 40% das empresas não realizam a mensuração das ações de Comunicação Interna, o que dificulta a comprovação de seu impacto e relevância para o negócio.
São entregas que ferramentas de IA podem fazer, se bem aplicadas e direcionadas por uma boa gestão e liderança. Afinal, se pensarmos em automatização, personalização de mensagens e análise de indicadores e feedbacks, essas tecnologias oferecem mais eficiência na escolha sobre como informar, quais canais utilizar e em qual momento, com base em dados concretos.
Mas a pesquisa Progic-Indicafix identificou que a adoção da IA em Comunicação Interna caminha lentamente: apenas 15,6% das empresas priorizavam, naquele momento, o uso dessas ferramentas. O que mostra a dificuldade por parte de CEOs e suas equipes diante do tal “desafio trimodal” mencionado pelo chairman da PwC, se aplicado ao contexto da comunicação interna: há um modelo que mostra ineficiências, precisa ser mudado e, mais adiante, reconstruído para o futuro.
Longe de serem forças opostas, a IA e a demanda por humanização na comunicação interna são complementares na construção de ambientes de trabalho mais conectados, transparentes, colaborativos e acolhedores. Se for vista e utilizada como meio, a tecnologia é capaz de trazer benefícios quando introduzida em um espaço onde haja diálogo aberto, escuta ativa e diversidade. A gestão e a cultura da empresa serão os responsáveis pela criação de um clima organizacional saudável.
Portanto, não se trata de substituir o olhar humano, mas de ampliá-lo, pela convergência entre a eficiência tecnológica e o cuidado humano, aliados à cultura, processos, governança e, acima de tudo, o tom humano na comunicação.
Para aqueles executivos que estão ansiosos ou ainda enxergam com dúvidas o avanço da tecnologia, pode ser útil o conselho de Kande. “Não temam o futuro. É inquietante. É verdade. Todos os dias algo muda, mas não temam isso”, ele disse, lembrando que esse nível de incerteza já aconteceu antes, em outros momentos da história dos negócios. “Eventualmente, algo bom vai acontecer.”
Assim, é animador olhar os indicadores de futuro, também levantados pela pesquisa Progic-Indicafix, junto às empresas: 54% pretendem adotar novas soluções, incluindo inteligência artificial e maior digitalização da comunicação; 22,8% priorizam humanizar a comunicação interna, garantindo que tecnologia e personalização andem juntas.
A convergência entre o tecnológico e o humano está cada vez mais forte.
Fontes:

*Os artigos publicados no Blog Endomarketing.TV buscam fomentar o debate e o conhecimento no setor. As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição institucional da Progic.








