Durante minha experiência com lançamento de redes sociais corporativas, não é incomum ouvir clientes dizendo que estão implementando a ferramenta porque querem aumentar o engajamento dos colaboradores.
Este foi um dos motivos que me fizeram abordar este tema, pois entendo que nem sempre podemos
medir da mesma maneira o engajamento de tudo o que é produzido pela Comunicação Interna.
Engajamento (en-ga-ja-men-to) s.m. Empenho em defesa de uma causa; comprometimento.
Quis trazer logo no início o conceito que a Academia Brasileira de Letras (ABL) faz do termo, para nos auxiliar no decorrer da abordagem.
Para seguirmos, também acho importante termos em mente a relação que a Comunicação Interna tem
com o engajamento dos colaboradores.
Entender isso é fundamental para a área, que busca ser cada vez mais estratégica dentro das empresas.
Segundo a Pesquisa Engaja S/A, feita pela Flash em parceria com a FGV EAESP, com mais de 5 mil pessoas
de todo o Brasil em 2025, apenas 39% delas se dizem engajadas com a empresa.
E não para por aí: quando falamos em reais, as empresas têm perdas anuais de 6,3 bilhões com presenteísmo, que é quando um colaborador está presente no trabalho de maneira física ou remota, mas não está engajado, está desmotivado.
Ou seja, o engajamento não é um conceito abstrato, ele impacta diretamente no negócio e a Comunicação Interna
pode ser a ponte para se alcançar essa meta.
De acordo com David Grossman, CEO do The Grossman Group, consultoria norte-americana premiada e
reconhecida por sua atuação em comunicação interna e Comunicação de Liderança, “a eficácia da comunicação
pode contribuir para o engajamento dos funcionários (positivo ou negativo).
Quando os funcionários sentem que têm as informações necessárias para realizar suas tarefas e
estão emocionalmente conectados à empresa de forma positiva, eles se tornam mais engajados”.
Passada essa breve introdução, vale destacar a aceleração da transformação tecnológica na área,
desde a pandemia da Covid-19, principalmente com a chegada das redes sociais corporativas.
Com elas, aquele fantasma que assombrava os profissionais de Comunicação Interna parecia ter acabado:
agora, o time consegue acessar, em tempo real, quantas pessoas visualizaram o que foi comunicado,
quem curtiu, comentou e muito mais. Um verdadeiro dashboard.
Como disse no início do texto, não é incomum ouvir que se busca engajamento por meio das plataformas digitais de Comunicação Interna.
E para alinhar a expectativa de quem tem acesso a um rico painel de informações,
vale saber se essas métricas são sinônimos de uma equipe de colaboradores engajada.
Longe de querer trazer uma verdade absoluta para essa questão, mas eu diria que depende.
Você quer engajamento em que, exatamente?
Para ajudar a responder a pergunta, proponho dois cenários.
Cenário 1
A empresa inicia uma campanha digital para estimular a interação entre os colaboradores ou uma campanha de reconhecimento na rede social corporativa.
Ao final, o time observou que houve um aumento considerável de curtidas, comentários e menções a colegas.
Exatamente o que se buscava. Podemos considerar que a campanha teve bastante engajamento.
Mesmo que digital.
Cenário 2
A empresa posta na rede social corporativa uma orientação reforçando o uso de EPIs,
pois está havendo muitos acidentes na operação.
Diremos que a publicação recebeu curtidas e comentários muito acima da média, como no exemplo anterior.
Mas, um mês depois, o número de acidentes envolvendo o uso incorreto dos equipamentos de proteção aumentou.
Nesse último cenário, podemos considerar que houve engajamento com o objetivo que se queria atingir?
Apesar de existir uma grande interação, como mostram as métricas, isso não resultou em mudança
comportamental na prática. O que nos indica que não houve um engajamento com os objetivos definidos.
Diante destes dois cenários, acredito que podemos responder a pergunta:
você quer engajamento em que, exatamente?
Tudo vai depender do objetivo definido para o que está sendo comunicado.
Se você espera uma mudança comportamental, as métricas de interação digital, embora possam indicar que os colaboradores
viram a mensagem e interagiram com ela, por exemplo, não podem ser usadas como balizadoras do sucesso que se almeja atingir.
Mas nem só de comunicados voltados à conscientização e orientação vive o time de Comunicação Interna.
As campanhas que visam a interação digital são superválidas e as métricas obtidas por meio destes canais
ajudam a dizer se elas deram certo ou não.
Antes de finalizar, quero destacar que o texto não tem o objetivo de esgotar a discussão sobre
engajamento no trabalho e o papel da Comunicação Interna.
Até porque, quando falamos do tema, outros pontos devem ser levados em consideração:
linguagem, canal, frequência e, principalmente a liderança, pois ela é o principal canal de comunicação
entre o colaborador e a empresa, é quem o funcionário mantém contato frequente.
Aqui, o objetivo principal foi trazer uma provocação sobre como o engajamento é interpretado no contexto de uma comunicação interna cada vez mais tecnológica e guiada por dados.

*Os artigos publicados no Blog Endomarketing.TV buscam fomentar o debate e o conhecimento no setor. As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição institucional da Progic.








