Se você trabalha com Comunicação Interna ou RH, você já sentiu isso: engajamento virou palavra gasta e produtividade virou cobrança silenciosa.
As empresas querem resultado. As pessoas querem clareza, sentido e respeito. E tem uma verdade incômoda no meio disso tudo: não dá para engajar gente confusa, sobrecarregada e perdida em ruído.
Em 2026, o jogo não vira por novos canais.
Vira por novas competências: clareza, escuta, experiência — e métricas que não desumanizam.
1) Menos comunicar. Mais criar clareza.
A habilidade mais rara hoje é clareza. Clareza sobre:
- O que é prioridade de verdade;
- O que mudou (e o que não mudou);
- O que a liderança espera;
- O que está fora do jogo;
- O que as pessoas precisam parar de fazer.
CI e RH ganham relevância quando viram tradutores de decisão, quando conseguem transmitir o que a diretoria busca, o planejamento espera, para os colaboradores.
Porque ruído não é falta de informação.
É falta de direção.
E sim: isso aumenta produtividade.
Ninguém performa bem tentando adivinhar.
2) Liderança comunicadora (não “manda e-mail”)
Existe um mito confortável: “a comunicação interna resolve”. Não resolve se a liderança não aparece. O que engaja é liderança como experiência:
- Explicar contexto, não só demanda;
- Assumir dilemas;
- Dar previsibilidade;
- Sustentar o porquê das decisões.
Engajamento não é campanha. É confiança construída em micro momentos. E isso não se terceiriza.
3) Experiência do colaborador como sistema
A empresa não tem “uma cultura”. Tem experiências repetidas. 2026 pede CI e RH dominando toda a experiência:
- Entrada;
- Mudanças;
- Reconhecimento;
- Feedback;
- Rituais;
- Saída.
E aqui não tem romantização: experiência não é evento bonito. É coerência.
Se o discurso fala de pessoas, mas o sistema premia urgência tóxica, a experiência real sempre vence.
4) Escuta contínua sem virar vigilância
Medir sentimento é necessário. Mas tem limite ético. Escuta boa:
- É transparente;
- Vira ação (senão vira cinismo);
- Respeita contexto e privacidade;
- Mede tendência, não fiscaliza pessoa.
O objetivo não é “controlar o clima”. É identificar fricção, medo, ruído e injustiça percebida — antes que virem desligamento emocional.
5) IA em CI e RH: com governança e humanidade
A IA já entrou no jogo. O diferencial não é usar. É saber onde usar. Ela ajuda em:
- Curadoria e personalização;
- Versões de mensagem;
- Leitura de grandes volumes de feedback;
- Consistência em mudanças.
Mas exige:
- Regra clara;
- Checagem humana;
- Cuidado com viés;
E, principalmente, não substituir relação por automação.
6) Métricas que medem gente, não só canal
Em 2026, medir CI não é perguntar se abriu e-mail. É perguntar:
- Entendeu?
- Mudou o comportamento?
- Reduziu fricção?
- Aumentou a clareza e a sensação de justiça?
- A liderança ficou mais confiável?Saímos de output.
Entramos em impacto real.
O kit essencial CI/RH 2026
Se eu tivesse que resumir, seria isso:
- Clareza e priorização;
- Storytelling de decisão;
- Liderança comunicadora;
- Design de experiência;
- Escuta contínua com ética;
- Leitura de dados sem desumanizar;
- IA com governança.
Engajamento e produtividade não brigam entre si. O que atrapalha é ruído, desorganização e incoerência. CI e RH vão liderar a próxima fase quando deixarem de ser áreas de “comunicação” e virarem áreas de clareza, experiência e confiança.
E isso dá resultado.
Mas do jeito certo: com gente junto — não sendo empurrada.
Se você quer engajar e aumentar a produtividade em 2026, comece simples:
onde está o ruído que ninguém está nomeando?

*Os artigos publicados no Blog Endomarketing.TV buscam fomentar o debate e o conhecimento no setor. As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do autor e não refletem, necessariamente, a posição institucional da Progic.








