Por Cleide Cavalcante
Nos próximos anos, as empresas enfrentam um desafio significativo em que a saúde mental dos colaboradores e a Inteligência Emocional se tornam fundamentais para o sucesso. Este cenário é impulsionado por mudanças geracionais e pela crescente presença da Inteligência Artificial (IA), além da necessidade urgente de manter o lado humano das corporações.
Numa recente conferência, Daniel Goleman, especialista em Inteligência Emocional, destacou que “a capacidade de reconhecer a própria emoção e a dos outros é fundamental em um mundo cada vez mais automatizado”. “Na Era da IA, a Inteligência Emocional é a bússola para uma comunicação eficaz“, acredita. Isso indica o papel importante que essa habilidade desempenha no mundo corporativo atual, alinhando-se com as opiniões de muitos líderes empresariais globais.
Não só comunicação, mas o fato é que a IA está transformando muito radicalmente e na mesma proporção de velocidade a forma como trabalhamos, introduzindo eficiência, principalmente, mas também desafios para este equilíbrio emocional sobre o qual Goleman alerta. No nosso mais recente Progicast O Futuro do Trabalho com IA, Alejandra Nadruz, Diretora de Gente e Cultura da Softplan, menciona que o uso de ferramentas de IA em processos como contratação e folha de pagamento reduziu o tempo gasto em tarefas operacionais significativas. No entanto, essa transformação requer treinamento para que a força de trabalho conserve habilidades humanas críticas, como o pensamento crítico.
Conforme Fabiano Rodrigues, fundador da Keywords Business Group, afirma:
“A IA acelera processos, liberando espaço para habilidades mais sofisticadas. É fundamental não deixar que essa avenida de eficiência coincida com a desumanização do ambiente de trabalho.”
Larry Page, cofundador do Google, em um artigo recente no LinkedIn, disse que “As empresas precisam adaptar suas estruturas para integrar melhor a saúde mental e a inteligência emocional. Só então a IA irá complementar nossas atividades, em vez de competir por elas.” Esse insight é apoiado por um estudo da Gallup, que mostra que equipes com maior inteligência emocional podem ver uma melhoria de até 22% em produtividade. No Brasil, o estresse no trabalho é um problema para 67% dos trabalhadores, segundo dados do relatório “People at Work 2023: A Global Workforce View”, do ADP Research.
Dr. Susan David, autora e psicóloga na Harvard Medical School, em uma palestra no TEDx, ponderou que “enquanto a IA eleva a eficiência, não podemos permitir que substitua a empatia humana e a conexão emocional. Essas são peças-chave do quebra-cabeça da resiliência organizacional.” Seu ponto ressalta a necessidade de as empresas não apenas adotarem tecnologias avançadas, mas também cultivarem um ambiente que priorize o bem-estar psicológico dos colaboradores.
Máquinas não podem mover nossos corações. (Jack Ma)
Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS) sugerem que ter saúde mental e suporte emocional apropriados no local de trabalho pode reduzir as taxas de afastamento por doença em até 28%, gerando um impacto direto na economia da empresa. Além disso, com a estimativa de que o estresse ocupacional afeta 1 em cada 4 trabalhadores europeus, a importância de iniciativas dessa natureza se torna ainda mais premente.
Jack Ma, fundador do Alibaba, falou sobre a convergência entre IA e soft skills: “Em 30 anos, eu prevejo que necessitaremos de mais ensino de valores humanos, confiança, independência e empatia. Porque máquinas, com toda a sua inteligência, não podem mover nossos corações.”. Tal visão alerta para um futuro onde a educação e o treinamento em inteligência emocional se tornam indispensáveis.
Ao examinar o panorama quantitativo, a McKinsey relatou que investir em programas de saúde mental pode resultar em retornos financeiros consideráveis para as empresas. Isso porque cada dólar gasto nessas áreas resulta em um retorno de quatro dólares na forma de ganhos indiretos, incluindo aumento na produtividade e diminuição do absenteísmo.
A Deloitte, em suas análises, destacou esta tendência afirmando que as gerações emergentes, como a Geração Alpha, que hoje ainda está se formando, já cresceram imersas no mundo digital e estarão cada vez mais inclinadas a procurar por ambientes de trabalho que unam tecnologia e empatia. Essa procura se reflete nos dados coletados pelo LinkedIn Pulse, onde esses grupos são mais propensos a procurar por empresas que priorizem valores humanos tanto quanto inovações tecnológicas.
A entrada de novas gerações no mercado de trabalho traz expectativas e valores distintos. As gerações mais jovens exigem transparência, equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e oferecem uma perspectiva mais sensível à saúde mental. No Progicast O Futuro do Trabalho com IA, Igor Gavazzi Vazzoler, CEO da Progic, salientou o desejo dos jovens de uma vida profissional que respeite seu tempo pessoal: “Essa geração exige qualidade de vida.” Este cenário faz com que as empresas reavaliem suas políticas, adaptando-se para fornecer apoio psicológico e um ambiente inclusivo que priorize o bem-estar mental. Dados corroborados pela American Psychological Association (APA): 79% dos funcionários dizem que consideram o bem-estar emocional na hora de decidir se aceitam ou não um novo emprego.
Melinda Gates, uma defensora vocal de ambientes de trabalho mais humanos, ressalta a integração de soft skills nas organizações. “Na medida em que progredimos tecnologicamente, precisamos calibrar esse progresso com a mesma dedicação ao desenvolvimento pessoal e ao aumento da inteligência emocional entre os trabalhadores.” Estudo da Harvard Business Review demonstra que empresas que sustentam um ambiente de trabalho que apoia a saúde mental relatam redução de 13% nos custos operacionais associados ao estresse laboral.
À medida que avançamos para um futuro dominado pela tecnologia, as empresas devem pensar em caminhos que preservem e promovam a inteligência emocional e o bem-estar dos seus colaboradores.
Jeff Weiner, ex-CEO do LinkedIn, defende que “em um futuro moldado pela automação, habilidades humanas como empatia e adaptabilidade serão nossos maiores diferenciais.” Esta perspectiva acentua a importância de enxergar a tecnologia como uma ferramenta de avanço humano e não um substituto, criando a fundação para ambientes profissionais eficazes e enriquecedores. Organizações que priorizam essas qualidades criam um espaço onde a criatividade, a colaboração e o engajamento prosperam.
A previsão é que a IA venha não para substituir os trabalhadores, mas para ser uma aliada, potencializando habilidades. As empresas têm o desafio de treinar colaboradores para melhor interação com a tecnologia. Presentes nesse processo estão a necessidade de fomentar um diálogo contínuo e integrar a dimensão emocional na cultura organizacional.
Com todos esses insights e dados à disposição, é claro que enquanto as empresas continuam a embarcar na revolução tecnológica, devem, acima de tudo, equilibrar essa viagem considerando a saúde mental e a inteligência emocional como pilares robustos que manterão seus times coesos e suas estratégias eficazes. Assim, essas qualidades – inconfundivelmente humanas – permanecem inestimáveis e devem nortear os novos padrões de engajamento e produtividade em um mundo guiado pela inovação.
Planteando as bases para um ambiente saudável e adaptável, as empresas estarão não apenas preparadas para enfrentar os desafios futuros, mas também equipadas para liderar com visão e empatia. Abordar saúde mental e inteligência emocional não é apenas uma vantagem competitiva, mas uma responsabilidade social e econômica. À medida que cada geração traz suas perspectivas e valores únicos, a integração harmônica de tecnologia e humanidade não só enriquecerá o ambiente de trabalho, mas também perpetuará uma cultura corporativa onde cada indivíduo pode prosperar.
Nesse cenário emergente, líderes empresariais são convocados a agir com coragem e visão, garantindo que o equilíbrio entre tecnologia e humanidade continue sendo a bússola que orienta decisões e ações. Assim, o futuro do trabalho se torna não apenas uma corrida por eficiência, mas uma jornada coletiva em direção a um amanhã mais inclusivo e consciente.
Espero que tenham gostado deste Artigo.
Um abraço e até a próxima!
Não esqueça de compartilhar nas redes sociais nos marcando com as ações realizadas aí na sua empresa e nos acompanhe no Instagram, LinkedIn ou Telegram!
E se você busca uma Plataforma Multicanal de Comunicação Interna Completa para potencializar as suas campanhas, deixo aqui o convite para você conhecer a solução Progic e conversar com nossos especialistas.
