Por Cleide Cavalcante

Esta semana, conversando com minha amiga Edna Tanaka, estávamos refletindo sobre os relacionamentos interpessoais, em sociedade e no corporativo, e em como nosso comportamento na atualidade pode ter reflexos significativos no futuro.

Como líderes, temos um papel de suma importância no direcionamento das próximas gerações de profissionais e, mais, de líderes. Estes, por sua vez, advindos de vivências cada vez mais imersas em comunidades virtuais.

Em um mundo cada vez mais moldado pelo avanço tecnológico e pelas transformações sociais, vivemos um momento de inflexão histórica que redefine continuamente os contornos dos nossos relacionamentos interpessoais e profissionais.

Para mim, a pandemia serviu como catalisador para essa fusão, acelerando a transição para modelos de trabalho remotos e híbridos e forçando-nos a reavaliar como nos conectamos uns com os outros.

Quando o trabalho remoto rapidamente se tornou a norma, já estávamos crescendo raízes no contexto da tecnologia; isso só foi acelerado. Agora vivemos em um mundo onde o modelo híbrido é lugar comum.

Essa transformação não apenas alterou a maneira como trabalhamos, mas também como nos conectamos uns com os outros. As gerações mais jovens, especialmente a Geração Z e a Geração Alfa, estão crescendo em um ambiente onde o digital e o físico se entrelaçam de maneiras sem precedentes.

“Estamos cada vez mais juntos, mas cada vez mais sozinhos”

Inevitável trazer aqui Zygmunt Bauman. Em seu livro “Modernidade Líquida“, ele descreve como os laços humanos se tornaram mais fluidos e efêmeros: “Vivemos tempos líquidos.

Nada é feito para durar, para ser sólido.”Ele define a modernidade líquida como uma era marcada pela transitoriedade, onde as relações se tornam efêmeras e a incerteza predomina.

Essa ideia ressoa profundamente quando observamos a forma como as novas gerações interagem. Philip Kotler, ao citar os “netizens” — cidadãos da internet ou nativos digitais —, destaca a habilidade desses indivíduos de se adaptarem rapidamente às novas tecnologias, criando comunidades virtuais que são, muitas vezes, tão significativas quanto as físicas.

Kotler argumenta que os netizens têm um papel fundamental na formação de uma nova economia digital, onde a conectividade e a colaboração são fundamentais.

Recentemente, li sobre uma palestra de Sherry Turkle, autora de “Alone Together”, onde ela discutiu como a tecnologia pode nos conectar e, ao mesmo tempo, nos isolar. “Estamos cada vez mais juntos, mas cada vez mais sozinhos”, destaca Sherry no livro.

Essa dualidade é evidente nas interações das gerações Z e Alfa, que são confortáveis em ambientes virtuais, mas podem enfrentar desafios ao estabelecer conexões profundas no mundo real. A convivência com assistentes virtuais, como Alexa, e chatbots, em vez de humanos, levanta questões sobre como essas gerações manterão padrões de relacionamento pessoal, em todos os âmbitos.

Desafios e Oportunidades no Ambiente de Trabalho – A transição para o trabalho remoto e híbrido levanta questões críticas sobre como as futuras gerações se relacionarão no ambiente profissional.

Jean Twenge, em “iGen”, destaca a tendência dos jovens à reclusão e à preferência por interações digitais, o que sugere a necessidade de as empresas repensarem suas estratégias de comunicação e colaboração para promover ambientes que valorizem tanto a eficiência tecnológica quanto a conexão humana.

Jacob Morgan, em “The Future Leader”, complementa essa visão, argumentando que a liderança futura exigirá uma compreensão profunda dos impactos da tecnologia nos relacionamentos interpessoais, enfatizando a empatia e a construção de relacionamentos autênticos como competências chave.

“A importância das interações humanas e das conexões pessoais”

No meio de tudo isso, emerge o conceito H2H, que acho importante incluir neste texto reflexivo. Em palestras, eventos, enrevistas etc, vemos os especialistas focar mais fortemente nesta teoria, que significa “Human to Human“.

Conceito que enfatiza a importância das interações humanas e das conexões pessoais no mundo dos negócios e além. Em contraste com abordagens mais tradicionais, como B2B (Business to Business) ou B2C (Business to Consumer), que focam na relação entre empresas ou entre empresas e consumidores, respectivamente, o H2H destaca que, independentemente do contexto, todas as transações e interações são fundamentalmente humanas.

O H2H lembra às empresas e profissionais que, por trás de cada iniciatica, cada inovação tecnológica, existem pessoas com emoções, desejos, necessidades e expectativas.

Portanto, o sucesso em qualquer ação, depende da capacidade de se conectar, comunicar e entender as pessoas em um nível pessoal e emocional. Em resumo, o H2H ressalta a importância de reconhecer e valorizar as conexões humanas em todas as esferas da atividade humana, especialmente no ambiente de negócios.

Ele serve como um lembrete de que, no fim das contas, a capacidade de se conectar com outros seres humanos de maneira significativa é o que impulsiona o sucesso e a inovação.

“Olhando para o futuro: uma perspectiva de 10 anos”

Projetando para daqui a 10 anos, as implicações de não abordarmos a necessidade de profundidade e significado nos relacionamentos profissionais são significativas.

As organizações que não conseguirem criar culturas que contemplem genuínas conexões humanas podem enfrentar desafios em reter talentos, inovar e manter a saúde e o bem-estar dos funcionários.

A liderança, inspirada por pensadores como Simon Sinek, deverá focar em construir confiança e promover um senso de pertencimento, essenciais para o sucesso a longo prazo.

Estudo da Deloitte sugere que organizações que adotam uma abordagem flexível e inclusiva, valorizando tanto as habilidades digitais quanto as interpessoais, estarão melhor posicionadas para atrair e reter talentos.

É essencial que as empresas criem ambientes que incentivem a comunicação aberta e o desenvolvimento de habilidades sociais, mesmo em um contexto digital.

Conforme defende Kotler, as empresas devem se adaptar às expectativas dos netizens, promovendo uma cultura de inovação e colaboração.

Para enfrentar a tendência à superficialidade, as organizações devem adotar tecnologias que promovam interações significativas, superando barreiras físicas sem sacrificar a profundidade da conexão.

Ferramentas de colaboração digital, quando usadas intencionalmente, podem promover a empatia e o entendimento mútuo, sendo parte da solução para os desafios impostos pela modernidade líquida.

Pessoalmente, acredito que o futuro dos relacionamentos interpessoais será moldado por um equilíbrio fino entre o digital e o humano. As gerações Z (nascidos aproximadamente entre 1997 e 2012) e Alfa (nascidos a partir de 2013), têm o potencial de redefinir o que significa se conectar, mas precisarão de orientação e apoio para navegar nesse novo mundo.

Como sociedade, devemos estar preparados para abraçar essa mudança, garantindo que a tecnologia sirva para aproximar, e não afastar, as pessoas.

À medida que avançamos, o desafio de utilizar a tecnologia para enriquecer nossas conexões humanas, em vez de diluí-las, torna-se cada vez mais premente.

A sociedade líquida, com suas relações efêmeras e incertezas, nos desafia a redefinir o que valorizamos nos relacionamentos interpessoais e profissionais.

Ao abordar essas questões com intencionalidade e reflexão, podemos começar a construir um futuro onde a tecnologia atue como uma ponte para conexões profundas e significativas, estabelecendo as bases para um ambiente de trabalho que valorize a humanidade tanto quanto a inovação.

Este futuro, embora repleto de desafios, oferece a promessa de um mundo onde a tecnologia serve para unir as pessoas, transcendendo as barreiras da sociedade líquida para criar relações mais ricas e significativas.

Este cuidado, entendo, é para já!. Temos de voltar os olhos para esta questão agora, quando nativos digitais, já no mercado de trabalho, começam a conviver mais intensamente com gerações mais jovens, que não conheceram um mundo sem tecnologias, circulam mais facilmente em comunicades virtuais e começam a demonstrar algum incômodo em interações pessoais próximas.

Entender isso, é entender nosso papel no hoje e na contribuição que podemos deixar como herança para as futuras gerações.

Insights e Dicas

Promova a empatia digital: incentive interações que valorizem a empatia e a compreensão, mesmo em ambientes virtuais. Como disse Brené Brown em uma de suas palestras no TED, “A empatia é a antítese da solidão.”

Desenvolvahabilidades sociais: ofereça treinamentos que ajudem as novas gerações a desenvolver habilidades interpessoais. Livros como “How to Win Friends and Influence People” de Dale Carnegie podem ser recursos valiosos.

Crie espaços de conexão: estabeleça ambientes, físicos ou virtuais, que incentivem a colaboração e a troca de ideias. Como sugere Simon Sinek em “Start with Why”, criar um senso de propósito compartilhado pode unir as pessoas.

Equilibre tecnologia e humanidade: utilize a tecnologia como uma ferramenta para melhorar, e não substituir, as interações humanas.

Para aqueles interessados em explorar mais sobre o tema, recomendo a leitura de “Modernidade Líquida” de Zygmunt Bauman (é antigo, mas é bom), “Alone Together” de Sherry Turkle, e as teorias de Philip Kotler sobre os netizens. São trabalhos que oferecem uma visão aprofundada sobre as dinâmicas dos relacionamentos na era digital.

Espero que tenha gostado deste artigo.

Um abraço e até o próximo 🙂 !

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Escrito por Cleide Cavalcante

Gerente de Comunicação e TV Corporativa, há 16 anos mudou o rumo da carreira para trabalhar com o que mais gosta: tecnologia, inovação e comunicação interna. Ao longo deste tempo, foram mais de 350 canais digitais implantados - TV Corporativa e apps - com sucesso. E, entre um job e outro, a vida flui intensamente em meio a livros, à natureza e aos pets de estimação.
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